Se você não tem a dimensão da morte, você não tem a dimensão do amor.
O primeiro passo de quando você pensa na perda de alguém querido, é o desespero da sensação de perder alguém. E isso, trata-se mais de egoísmo do que de amor, porque você imagina como vai ser a sua vida, sem a vida de quem morreu.
Você só consegue amar verdadeiramente quando você leva em consideração que o sujeito não é finito. O amor só aparece no convívio de duas pessoas.
A contemplação da morte da pessoa amada, tem que ir além do desespero, ela deve fazer com que a gente olhe com mais seriedade pra vida do outro, e faça o possível pra que dentro da nossa realidade, a gente possa ama-lo verdadeiramente.A morte é um chamado, para que a vida dos outros se perfaça.
Quando a gente nega que alguém amado possa morrer, automaticamente entramos numa dinâmica de desamor. Não meditar sobre a morte nos esquiva da capacidade de amar, e impede o outro de receber plenamente o nosso amor em todo o seu direito.
Negar a morte de alguém é um fetiche de segurança.
E é fundamental meditar sobre a morte. E a segurança é o que mata a nossa capacidade de projeção da vida humana, ela só acontece a partir do momento que a gente entende que não pode controlar tudo.
Quando a gente entende e sabe que alguém que amamos vai morrer, acontece um movimento de insegurança pleno, e essa insegurança é fundamental, senão a gente perde a capacidade de amar.
Não confunda com desejar a morte.
Entender que ela vai acontecer não significa desejar que ela aconteça. Se você não imagina que alguém que você ama pode morrer, você não entende quem você tem que ser pra ela. E entende que vai precisar se esforçar pra ela seja melhor na escala humana. O amor verdadeiro só vai aparecer quando você leva em conta que quem você ama, vai morrer. E isso não é uma loucura, isso é uma realidade da vida, é aliás, a única certeza que você vai ter na vida: a morte.
E há possibilidade de que depois da morte, quem você ama possa ir pra um lugar ruim. Nós não sabemos o que acontece depois.
Essa história de se amar primeiro, se esfarela quando o outro morre, e a gente percebe que perdeu tempo sendo mesquinho ao invés de fazer o melhor pra quem amamos.
Só somos nós quando somos para o outro.
Você pode ser positivo, mas se você não tem boas intenções, as coisas não vão dar certo pra você. Você precisa se confrontar com a vida, pra que você mude.
Ame com todo seu vigor, com toda sua força.
Sabendo que o amor não é um sentimento bom.
E que cabe no amor sentimentos muito antagônicas: saudade, angustia...
Sentimentos que só aparecem quando você ama verdadeiramente.